Representação de Manga pede ao  MP que
investigue situação das Residências Terapêuticas

O vereador Rodrigo Manga (DEM) apresentou nesta quinta-feira representação ao Ministério Público               em relação à situação precária constatada nas Residências Terapêuticas de Sorocaba.  Manga tomou conhecimento de vários  problemas enfrentados pelas Residências Terapêuticas em razão do presente processo de desinstitucionalização,  "que vêm afrontando de forma direta o principio da dignidade da pessoa humana, bem como, os direitos à vida, a integridade física, à moradia, a qualidade de vida e saúde." Diante disso, Manga solicita ao MP que investigue a situação das Residências Terapêuticas. "Várias irregularidades e situações extremamente alarmante estão ocorrendo nas RTs e precisam ser investigadas para que os problemas sejam solucionados", enfatizou o vereador.

As residências terapêuticas constituem-se como alternativas de moradia para um grande contingente de pessoas que estão internadas há anos em hospitais psiquiátricos por não contarem com suporte adequado na comunidade. Podem servir também de apoio a usuários de outros serviços de saúde mental, que não possuem suporte familiar e social suficientes para garantir espaço adequado de moradia.
                                              
O processo de reabilitação psicossocial deve buscar de modo especial a inserção do usuário na rede de serviços, organizações e relações sociais da comunidade. Os Serviços de Residências Terapêuticas devem ser acompanhados pelos CAPS ou ambulatórios especializados em saúde mental, ou, ainda, equipe de saúde da família (com apoio matricial em saúde mental).  A equipe técnica deve ser compatível com a necessidade dos moradores. Os cuidadores e técnicos de enfermagem, ou seja, toda equipe técnica, tem uma tarefa importante na moradia.
                                              
No entanto, a realidade constatada pelo vereador das Residências Terapêuticas do município mostra-se muito longe de alcançar ou atender os objetivos para os quais foram criadas, os quais este representante entende importante. As Residências Terapêuticas eram  administradas pelo Instituto Moriah, contrato encerrado em 17 de agosto deste ano, sendo que a partir desta data todos os funcionários estariam automaticamente despedidos. A Associação Paulista de Gestão Pública – APGP, deveria assumir em caráter emergencial as residências. Mas, segundo informações, funcionários estariam com salários atrasados e, mesmo sem nenhum tipo de respaldo, seja financeiro, psicológico ou até mesmo condições adequadas para melhor atender os pacientes, as cuidadoras e técnicos de enfermagem (equipe técnica) continuam trabalhando, mesmo com a sensação de insegurança.

Entre os graves problemas enfrentados diariamente pelos moradores "pacientes", profissionais e familiares, destacam-se os  gastos de dinheiro público de forma ineficaz, haja vista que atualmente as Residências Terapêuticas sequer se aproxima do seu objetivo que é o processo de reabilitação psicossocial dos pacientes; equipe técnica não é compatível com a necessidade dos moradores, bem como estão trabalhando com salários atrasados e sem condições adequadas para atender os moradores "pacientes" das residências terapêuticas;
falta alimentos nas residenciais terapêuticas, sendo que "absurdamente" estão sendo sustentadas pelos próprios moradores "pacientes" que possuem benefícios INSS, gerando desta forma um desconforto entre os mesmos, pois não podem usufruir do dinheiro em beneficio próprio; falta de manutenção das residências, tendo em vista que atualmente estão em estado precário.

Ainda segundo informações os aluguéis das residências estão atrasados, como as contas de água, luz e padaria, inclusive há informações que já existem ações de despejo. Quando existe uma intercorrência nas residências terapêuticas, as cuidadoras solicitam apoio dos CAPS, os quais não atendem por falta de condições, como por exemplo falta de carro, de funcionários, gasolina etc.

Rotineiramente as pacientes sentem-se mal (dor de cabeça, febre, questões corriqueiras que poderiam ser sanadas com medicamentos que poderiam ficar à disposição nas residências), porém por falta de auxilio de médicos e do CAPS aguardam horas e horas num Pronto Atendimento para receber uma simples receita para poder tomar um antitérmico,  por exemplo.

As condições de trabalho nas Residências Terapêuticas  são precárias, sequer possuem um telefone fixo para ligações de emergência. Há relatos que vário

s pacientes se machucaram com gravidade e a resposta  é recorrente.  "Eles se auto agrediram!" Ou outra resposta do tipo, “Tive que escolher, ou deixava a paciente duas horas se machucando no banheiro, ou deixava todas sem comida.”  Recentemente houve queda com quebra de braço na hora do banho, por estar sem supervisão, pois é humanamente impossível um funcionário dar conta de tudo sozinho, falta de funcionários.


A representação apresentada pelo vereador Rodrigo Manga busca provocar a intervenção do ministério Público, para averiguar a situação e tomar providências cabíveis. "Se faz urgente a necessidade de se tomar medidas judiciais necessárias ao combate dessa injustiça e descaso para com os direitos humanos fundamentais, inclusive por meio da instauração de um inquérito civil com o objetivo de constatar os fatos", finalizou Manga.